Outrora marcada pela cultura da vinha, esta aldeia reinventou-se ao longo do tempo, encontrando na pastorícia e na produção de queijo DOP a sua nova identidade. Tal como tantas outras povoações da região, também aqui se sentiram os efeitos das Invasões Napoleónicas, que deixaram marcas na memória e no território.
Ao entrar no chamado trilho do pastor, compreende-se melhor quem decidiu permanecer. Perante adversidades como guerras, intempéries ou escassez, a ligação à terra prevaleceu sempre, num equilíbrio constante onde a natureza impõe o seu ritmo e a vida se adapta.
A água que desce da Serra do Ralo acompanha grande parte do percurso, trazendo consigo uma presença simultaneamente poderosa e serena. Ao longo do trajeto, molda a paisagem e sustenta a biodiversidade, sendo respeitada por tudo o que dela depende. Este trilho convida à imersão num território feito de vales sucessivos e caminhos ancestrais, onde o caminhar se torna também uma forma de contemplação.
Pelo caminho, é possível cruzar-se com pastores e com o seu modo de vida simples e genuíno, profundamente enraizado na montanha. As suas rotinas, ligadas ao pastoreio e ao cuidado dos rebanhos, refletem uma relação íntima com o território, onde cada gesto tem um propósito e cada dia segue o compasso da natureza.
Ao passar junto ao antigo campo de futebol, percebe-se que muitos partiram em busca de outras oportunidades, deixando para trás uma paisagem que guarda memórias de tempos mais povoados. Já na estrada alcatroada, torna-se evidente o esforço diário de quem ainda aqui vive, pessoas que resistem ao isolamento e mantêm viva a presença humana nestas altitudes, onde a vida continua, discreta mas resiliente.
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